Blog do Luxemburgo

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25/11/2009

Não procede

Não procede

Andaram veiculando uma notícia de uma possível consultoria minha com o Mixto do Mato Grosso. Gostaria de salientar que não mantive contato com ninguém a este respeito e portanto não procede esta informação.

Por Vanderlei Luxemburgo às 13h25

23/11/2009

Uma boa vitória

Uma boa vitória

Fizemos um bom jogo e conquistamos uma ótima vitória. Depois do confronto muitos me perguntaram se esta foi a melhor partida que o Santos teve sob o meu comando. Ao longo dessa caminhada fizemos ótimas partidas, principalmente contra o Internacional e o São Paulo, mas por não estar com a equipe totalmente equilibrada, não conseguimos o resultado que queríamos. Jogamos bem contra o Coritiba e sentimos um pouco de apatia por parte do time paranaense. Também, daí o resultado expressivo.

Me questionaram muito da presença de Neymar e Madson. Se eles jogassem todas as partidas como jogaram esta do Coritiba, certamente eu os teria escalado tranquilamente nas demais, mesmo porque, eu nunca fui de sacanear ninguém. Muito menos esses meninos que estão começando e buscando seu espaço.

Acredito num final honroso nas duas últimas partidas do campeonato e não tenho dúvida que com a definição da candidatura do Marcelo à presidência do Santos, o estímulo de todos do futebol profissional aumentou e muito.

Por Vanderlei Luxemburgo às 11h10

16/11/2009

Amadurecimento

Amadurecimento

Já se passaram mais de dez anos quando sabedor dos meus direitos e tendo consciência de minha posição no futebol, exerci a cláusula legal do contrato e rompi esse contrato, pagando a devida multa com o Santos, uma vez que existiam divergências no que havia sido previamente combinado. Na época fui excessivamente criticado e taxado de mercenário, com muitos me atirando moedas e me considerando o pior caráter possível.

A única diferença que envolve a nossa profissão em relação às outras é a da parcela de emoção envolvida. É por isso que se deve ter bom senso, sensibilidade e o momento certo para que se exerça qualquer cláusula do contrato. Na realidade, em algumas vezes tanto por parte do clube como pelo profissional de futebol, isso acaba não acontecendo.

É bom sempre ressaltar que não é imoral e nem antiético você escutar e receber uma proposta de trabalho, fato esse que é uma realidade em qualquer profissão e principalmente no futebol e no meio de comunicação.

Ao longo deste percurso, alguns clubes exerceram também esta cláusula, me despedindo e pagando a devida indenização, assim como também voltei a exercer esse direito.

Fico feliz de hoje ver essa relação ser rompida conscientemente e sem nenhum tipo de critica contundente, muito menos chamando algum profissional de mercenário. Aconteceram vários casos recentemente como as saídas do Muricy, a minha e, a mais recente, do Paulo Autuori no Grêmio.

Não sou melhor que ninguém e nem me julgo infalível, pois tenho meus defeitos e que não são poucos, mas me alegra muito e me conforta ter participado ativamente do amadurecimento dessa relação.

A derrota

Perdemos para o Internacional, mas fica pelo menos o conforto pela luta e entrega da equipe em campo. Mesmo com o desgaste que tivemos na viagem ao México, a equipe respondeu muito bem fisicamente em campo e por pouco que não conseguimos um resultado melhor.

No próximo domingo na Vila, contra o Coritiba, estaremos prontos e seguros e mais inteiros para lutar por uma grande vitória. É isso que espero e conto com o nosso torcedor.

Por Vanderlei Luxemburgo às 17h20

10/11/2009

Posição e explicação

Posição e explicação

Tenho recebido muitas mensagens questionando meu apoio dado na última eleição ao presidente Marcelo Teixeira e depois a minha saída do clube. Quero esclarecer que naquela oportunidade, após a eleição, apresentei um projeto de trabalho e uma proposta que não foram aprovados pela diretoria do clube.

Continuo com o firme pensamento que, conhecendo bem o Santos FC, o Marcelo segue sendo a melhor alternativa para dirigir o destino do clube. Ele tem o meu apoio e acredito que ele será o próximo presidente.

Tão logo ele seja eleito irei apresentar um novo projeto de trabalho e uma nova proposta, que espero, sejam aprovados.

A oposição, quando lançou sua chapa, de imediato declarou que não gostaria de contar com o meu trabalho, fato este que conjuga com o meu pensamento que é também condicionar a minha permanência com a presença apenas do presidente Marcelo Teixeira.

Por Vanderlei Luxemburgo às 18h18

07/11/2009

Ao torcedor do Santos Futebol Clube

Ao torcedor do Santos Futebol Clube

Cada vez mais me convenço que estou certo em acreditar que para o bem do Santos a sequência do trabalho do Marcelo Teixeira torna-se imprescindível. Essa oposição ao ser questionada da sua capacidade de conhecimento de gestão no futebol descambou para ataques pessoais à minha pessoa.

Como pessoa física já tive vários empreendimentos, alguns deram certo outros não, mas dentro da minha profissão de técnico e gestor de futebol eu só quero lembrar sem ser arrogante o que já conquistei ao longo da minha carreira, montando sempre desde o início grandes times que deram retorno técnico, financeiro e que se tornaram inesquecíveis na memória dos torcedores e daqueles que gostam de futebol.

Eu não quero entrar na vida pessoal de ninguém, porque nós sabemos que cada cidadão carrega consigo os seus problemas. Tem pessoas que são infelizes no casamento e infelizes no lado profissional. As vezes casando e descasando até sete vezes. E até não vou discutir a competência profissional de uma outra área que não seja futebol porque o candidato a vice da chapa opositora é secretário de Saúde de Santos, onde recentemente aconteceu um problema muito grave, sendo matéria negativa em jornal nacional expondo a cidade de Santos ao Brasil inteiro. Se é para discutir isso, será que ele é preparado para gerir o Santos FC da mesma forma como faz com a saúde da cidade de Santos?

O que eu quero é que esta discussão não exista, ela é ruim. Temos que falar de futebol, onde eu tenho uma história no Santos Futebol Clube desde 1997, com o presidente Samir, em um trabalho reconhecido por quase todos os santistas. Dei o pontapé inicial junto com o parceiro da época para começarmos a operacionalizar o centro de treinamento da forma que é hoje e fizemos a recuperação do campo da Vila Belmiro, reconhecido por todos como o melhor gramado do Brasil.

Dando sequência às minhas passagens pelo Santos juntamente com o Marcelo Teixeira construímos toda a estrutura necessária para os atletas praticarem futebol profissional. E além da estrutura fizemos equipes que ganharam títulos, revelando para o mercado de futebol grandes talentos.
Eu só estou discutindo a permanência do Marcelo Teixeira no Santos porque eu nunca fui de ficar em cima do muro. Sempre tomei decisão na minha vida, certa ou errada. Eu entendo que para o Santos Futebol Clube, que independente da minha continuidade ou não, o melhor é a permanência do atual presidente.

Ao torcedor santista e à chapa de oposição do Santos: Esse é o Luxemburgo detentor de títulos e gestão de futebol.

Currículo
Campeonato Capixaba (1983), 8 Campeonatos Paulistas (1990/1993/1994/1996/2001/2006/2007/2008), Campeonato Mineiro (2003), Copa do Brasil (2003), 2 Torneios Rio-São Paulo (1993 e 1997), 5 Campeonatos Brasileiros (1993, 1994, 1998, 2003 e 2004), Copa América (1999) e 1 Torneio Pré-Olímpico (2000).

Gestão de negócios
Bragantino - Valorização de atletas, conquista de título e quatro jogadores convocados de uma só vez para a Seleção Brasileira.
Palmeiras/Parmalat - Retorno técnico e retorno de imagem para a empresa, além do retorno financeiro expressivo com venda da maioria dos jogadores para o exterior
Cruzeiro - Conquista da Tríplice Coroa e retorno financeiro (oito jogadores das divisões de base, em sua grande maioria, vendidos para o exterior).
Corinthians - Campeão Brasileiro e na sequência, com Oswaldo de Oliveira (ex-auxiliar técnico), Campeão do Mundial. E valorização dos jogadores.
Santos FC em 2004 - Conquista de título e valorização dos jogadores (em especial do atleta Robinho).
Esses e entre outros muitos trabalhos feitos e realizados.

OBS: Juca Kfouri, pega uma carona e coloca no seu blog uma cópia do meu currículo e guarda contigo. E pode continuar me atacando pessoalmente. Tenho inimigos enrustidos, mas pelo menos você é um inimigo declarado. Melancólico e triste, é bem verdade.

Por Vanderlei Luxemburgo às 13h39

06/11/2009

Entrevista coletiva

Coletiva - Parte I

Coletiva - Parte II

 

Por Vanderlei Luxemburgo às 14h33

31/10/2009

A responsabilidade é minha

A responsabilidade é minha

Perdemos a partida mas, na minha opinião, jogamos muito bem e impondo o ritmo que interessava a nós no jogo. Assumo a responsabilidade de ter determinado ao Paulo Henrique para bater os dois pênaltis. Afinal de contas, foi ele que treinou, e bem, para cobrar na ausência do Kléber Pereira.

O Paulo é um garoto de talento e recebeu todo nosso apoio no final do jogo. Isso vai servir, e muito, para o seu amadurecimento profissional. E as cobranças que acontecerem tem que ser comigo, afinal, fui eu que determinei que ele batesse os pênaltis.

Muitos craques do futebol já perderam pênaltis. Recordando o Zico, Roberto Dinamite, Roberto Baggio, enfim, vários craques já perderam pênaltis e não podemos crucificar o garoto que é uma grande promessa do futebol brasileiro.

É claro que o torcedor está chateado e magoado pela derrota e devemos até entender as críticas que acontecem, mas somos profissionais e sabemos o que fazemos.

É muito bom ver o árbitro Nielson Dias, que veio do Nordeste, ter a personalidade de marcar dois pênaltis - que existiram - em um Maracanã lotado. Isso é muito bom para a arbitragem brasileira.

Por Vanderlei Luxemburgo às 21h43

29/10/2009

Alfinetadas

Alfinetadas

Sou uma pessoa feliz e de bem com a vida. Gosto de viver, adoro a minha família, sempre que posso vou pescar e gosto muito de jogar baralho. Com tudo isso consegui muitas conquistas e tenho certeza que irei conquistar muito mais. O artigo abaixo muito bem escrito pela Danuza Leão, no último domingo na Folha de São Paulo, expressa a realidade, pois deve ser muito triste ser ranzinza, não ter reconhecimento e não ter amigos e nem inimigos.

DANUZA LEÃO

O pior inimigo é o falso amigo

Volta e meia faz comentário sobre você, maldoso e irônico, mas não tão maldoso a ponto de chocar

Já que é inevitável ter inimigos, a coisa melhor do mundo é ter um de verdade: que te odeie com lealdade e sinceridade -sem nenhum fingimento.
Ele é capaz de falar mal de você em público sem ter, em momento algum, medo de que repitam o que ele disse. E também pode te dar um tiro ou uma facada, mas sem nunca te enganar -sempre numa boa.

Não é, positivamente, do tipo que diz "vou te contar uma coisa, mas não repita, fica só entre nós". Dele você pode esperar sempre o pior: que impeça que aquele negócio que estava planejando havia anos se realize, que diga àquela gata que está povoando seus sonhos que você é um cafajeste, que o dinheiro que você esbanja vem do tráfico de drogas -ou coisas ainda piores. Sabendo do que ele é capaz, você pode sempre se defender -o que é mais fácil do que lidar com a hipocrisia.

Como guerra é guerra, nada que ele faça de ruim poderá surpreender -essa é a vantagem de ter um inimigo leal. Quando se encontram num restaurante, você já sabe que deve ficar alerta e se sentar de costas para a parede, como fazem os malandros.

Ele é capaz de seduzir sua filha menor, de contratar alguém para roubar seus documentos e de jurar sobre a Bíblia sagrada que viu você subornando um político. Tudo faz parte, e quanto mais coisas ele fizer contra você, mais você aprende a se defender; como se aprende com um inimigo assim -ah, como se aprende.

Perigosos mesmo são os pseudo-amigos, aqueles que te tratam bem e que volta e meia fazem um comentário sobre você -maldoso e irônico, mas não tão maldoso a ponto de chocar-, afinal, é apenas uma brincadeira, será que você perdeu o humor? E aquele que passou anos construindo a imagem do bom caráter de carteirinha pode fazer você levar a vida inteira na dúvida, sem ter coragem de encarar a verdade: que se trata apenas de um crápula.

A tal da imagem ilude muita gente, que durante anos pensa que o personagem é defensor das boas causas, dos fracos e oprimidos, e sempre politicamente correto -faz parte do modelo, claro. Incapaz de encarar uma briga de frente, ele não consegue nem ter inimigos, pois, como ser humano, não passa de uma fraude -e de um covarde.

Está sempre atrás de alguma vantagem -alguma pequena vantagem- e frequentemente comete traições -pequenas traições que dificilmente poderão ser comprovadas. E se alguém ousar acusá-lo de alguma coisa, sempre haverá alguém para defendê-lo -afinal, de uma pessoa com um passado tão correto, só um louco ousaria dizer alguma coisa.

Suas maldades e falhas de caráter nunca são grandiosas, porque nada nele é grandioso. Suas maldades são pequenas, porque tudo o que ele faz é pequeno; pequeno como sua pessoa, como sua alma. Mas, às vezes, se tem que conviver com gente assim -como fazer?

Se for seu caso, não faça nenhum tipo de concessão. Cometa um assassinato, internamente, e esqueça de que ele existe -mas esqueça mesmo. Mas atenção: é importante que ele saiba que você sabe perfeitamente quem ele é.

Fique cego quando passar por ele, e se alguém mencionar seu nome, não ouça; esqueça das mesquinharias de que é capaz um pobre ser humano.

E valorize seus inimigos, os bons. Eles estão sempre dispostos a liquidar com você, mas sempre com a maior lealdade.

danuza.leao@uol.com.br

Por Vanderlei Luxemburgo às 14h27

Um empate justo

Um empate justo

Fizemos um bom primeiro tempo contra o Atlético Paranaense. Criamos oportunidades claras de gol e infelizmente não conseguimos concluir bem. Mas gostei da postura tática da equipe, que não deixou o Atlético jogar e criou estas oportunidades que foram perdidas.

Na segunda etapa voltamos com a mesma postura, com a substituição do Felipe Azevedo pelo Róbson para dar mais movimentação no ataque. Fizemos o gol e saímos na frente, mas em um lance duvidoso, em seguida sofremos o empate.

Lamentavelmente o Róbson participou de uma jogada de uma maneira condenável. E acabou sendo expulso, deixando a equipe com dificuldade muito grande dentro do jogo. Mas com muita luta e determinação o time conseguiu o empate, que não deixou de ser justo e um bom resultado.

Agora, vamos recuperar a equipe já no Rio para no sábado enfrentarmos o Flamengo.

Por Vanderlei Luxemburgo às 00h19

26/10/2009

Um jogo raro

Um jogo raro

Fizemos uma boa partida contra o São Paulo, quando conseguimos marcar três gols naquela que é considerada a melhor defesa do futebol brasileiro. Mas, infelizmente por alguns detalhes e falhas nossas, acabamos perdendo a partida.

Foi um jogo raro de se ver pelo número expressivo de gols. E acredito que ainda estamos pecando por estarmos encontrando o equilíbrio da equipe só agora nesta reta final do Campeonato Brasileiro.

Não culpo o árbitro Carlos Eugênio Simon pela derrota. Mas, na minha opinião, ele cometeu alguns erros que não condizem com sua capacidade técnica de juiz de Copa do Mundo. Não houve falta no quarto gol do São Paulo e lamentavelmente ele deu apenas três minutos de acréscimo, quando na verdade, só na expulsão do goleiro Rogério Ceni, o jogo ficou parado cerca de cinco minutos.

Teremos um confronto muito difícil na Arena da Baixada contra o Atlético PR, mas acredito que a equipe irá ter um bom rendimento fora de casa.

E para encerrar, eu não gosto mesmo de abutre. Pois, afinal, como eu iria gostar de alguém que não luta por nada e vive apenas de restos. Deve ser muito triste viver assim.

Por Vanderlei Luxemburgo às 21h35

25/10/2009

Entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo - 25/10/2009

Entrevista à Folha (I)

Irado com Belluzzo, que o demitiu no Palmeiras, técnico garante ida à política

Petista, treinador do Santos elogia Lula por ser menos radical agora e, sem chance de obter o título, almeja em 2010 carreira no Tocantins

RODRIGO BUENO
DA REPORTAGEM LOCAL

Vanderlei Luxemburgo, 57, recebeu a Folha no CT Rei Pelé. Foi anteontem. Para falar de tudo, até de que não gosta da Folha. O Santos está fora da luta pelo título, e, como o presidente Marcelo Teixeira deve deixar o clube, Luxemburgo já vê novo horizonte para 2010. Ele quer descansar no fim do ano. Depois, quem sabe, uma equipe forte, um novo investidor para o Instituto Wanderley Luxemburgo, a aposentadoria do futebol... Certeza mesmo só a entrada na política (e a ira com Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras).

FOLHA - Sem Marcelo Teixeira na presidência, você sai do Santos?
VANDERLEI LUXEMBURGO - Se ele não continuar, não continuo. Se continuar, minha primeira intenção é discutir um projeto com o Santos. Quando o Marcelo me chamou, era porque o Santos estava aquém da sua tradição. Falei que ficava até o fim do ano. Depois, pode pintar o Inter ou outro, estarei aberto ao mercado. Não está nada definido sobre o que vou fazer.

FOLHA - E a ida para a política?
LUXEMBURGO - É outra possibilidade que pode existir na minha vida, de ir para o outro lado. Nunca me filiei a partido. Filiei-me ao PT agora, no Tocantins, porque acho que é um Estado que promete, tem só 20 anos e muita coisa a ser feita.

FOLHA - Por que o PT?
LUXEMBURGO - Sempre me identifiquei com coisas que o PT fazia, mas achava o partido radical. Passou a ser mais moderado e se encaixa mais com a minha cabeça, com o meu pensamento político-ideológico.

FOLHA - É amigo do Lula? O Lulinha [filho do presidente e auxiliar no Santos] já é seu companheiro...
LUXEMBURGO - Tenho amizade com o Lula, que foi o petista que mais evoluiu. Se você pegar o Lula de anos atrás e pegar o de hoje, verá que evoluiu na ideologia política, algumas coisas que tomava com radicalismo no partido foram mudando. Isso mostra que o PT evoluiu.

FOLHA - Por que o Tocantins? Está preparado para as críticas por não ter identificação com esse Estado?
LUXEMBURGO - O mundo está globalizado, qual é o problema? Por que você não pode trabalhar no Rio se for convidado? É anormal? Vocês têm tendência à crítica. Como se fosse proibido eu entender que o Tocantins possa ter uma situação em que seja possível desenvolver um trabalho melhor do que em São Paulo. Num mundo globalizado, com possibilidades, alternativas de trabalho, você fala inglês fluente e o convidam para um jornal em Nova York. Vai deixar de ir porque é brasileiro? É crescimento. No Norte, é onde precisam de um projeto de esporte, pois não tem.

FOLHA - Você já fala como político. É inevitável a entrada nesse meio?
LUXEMBURGO - É só uma questão de tempo. Eu vou.

FOLHA - Como é para um técnico de ponta ficar sem lutar pela taça?
LUXEMBURGO - Estaria brigando pelo título. Não deixaram. É diferente. Montei um trabalho, o projeto no Palmeiras, para brigar pelo título deste ano e pela Libertadores no ano que vem.

FOLHA - O que pensa do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, que o demitiu?
LUXEMBURGO - Belluzzo foi um dirigente nada diferente dos de anos trás. Mostrou mentalidade retrógrada, apesar de dizer que é moderno. É fácil deixar de discutir a situação e mandar o cara embora. O que aconteceu eu não sei, porque não houve nada que pudesse caracterizar uma perda de cargo minha. Agi na defesa dos interesses do clube, da parceria. Seguramos o Keirrison dois meses sem fazer gol, o parceiro tinha investido alto nele. Mantive o menino, aí ele foi embora e recebi um telefonema dizendo que tinha sido vendido. Um jornalista me perguntou se ele, vendido, podia ficar até o fim do ano. Disse que, comigo, não. Porque, se ele não veio se despedir, não falou nada, como é que vai ficar? O Belluzzo ficou chateado com isso.

FOLHA - A demissão não seria também para conter despesas?
LUXEMBURGO - A minha saída se deu pelo Fabio Raiola [diretor financeiro], que fazia pressão contra mim. Houve pressão da Mancha Verde [torcida organizada] sobre o Belluzzo. Tinha brigado com a Mancha, e o Belluzzo aceitou a imposição dela. Fizeram aquela sem-vergonhice no aeroporto [troca de agressões com o técnico]. O Belluzzo queria que eu falasse com a Mancha. Como é que eu ia falar com os caras que me agrediram? Infelizmente, ele tomou a decisão porque se sentava na arquibancada com a Mancha.

FOLHA - Você se sentirá campeão se o Palmeiras triunfar neste ano?
LUXEMBURGO - Nada a ver. A Mancha Verde me chamou de traidor porque o Palmeiras caiu em 2002 e disse que fui o culpado. Não me senti culpado quando caiu nem vou me sentir responsável agora por ter formado o time. Quem vai ser campeão é o Muricy, os jogadores. Você vai embora do processo, acabou o processo. Estava premeditado me tirar do Palmeiras, faltava um momento. Aquilo [Keirrison] acabou sendo pretexto.

FOLHA - Saindo do Santos, como imagina seu futuro no futebol?
LUXEMBURGO - Eu tenho que deixar a coisa acontecer, ver como estará o mercado. Vou ficar até o fim do ano aqui e descansar. Se o Marcelo [Teixeira] continuar, queria fazer um time competitivo com projeto de Libertadores, com o centenário do clube. Mas, se o Marcelo nem for candidato, acabou.

FOLHA - Por que o São Paulo sempre foi rival? Portas fechadas lá?
LUXEMBURGO - Já tive convites, só que não dava para ir porque estava trabalhando. Quando estive parado, o São Paulo não me convidou. Fui convidado pelo Fernando Casal de Rey. O Marcelo Portugal Gouvêa disse que não me contrataria, uma semana depois foi no lançamento do meu livro e disse que trabalharia comigo. É coisa de mídia, que pega declaração de um terceiro dirigente. Posso trabalhar no São Paulo. Se não trabalhar, não muda nada.

FOLHA - Dizem que você não é aceito lá por ser muito personalista.
LUXEMBURGO - Mais personalista que o Telê Santana? Ele fazia tudo. Sou capaz de discutir tudo numa reunião. Nunca foi tomada nenhuma decisão unilateral minha, e falam o contrário. Se alguém provar isso...

FOLHA - Muitos o acham egocêntrico, vaidoso... Assume isso?
LUXEMBURGO - É impossível tecer qualquer comentário meu se não me conhece. O cara que trabalha é um profissional, um personagem. Não posso falar nunca dos sentimentos meus. Aqui, na entrevista, sou profissional. Quando você me conhecer, vai poder dizer "o Luxemburgo é metido, radical, egocêntrico". Tem perguntas que fazem você ter vários tipos de reação, sair pela tangente, ser grosso, contundente, ignorante, firme. Por exemplo, não gosto do Juca Kfouri. Mas não posso esconder que não gosto dele. Não gosto da Folha, mas falo isso. E isso passa como se eu fosse um camarada metido. Tenho meu ponto de vista.

FOLHA - Gosta do personagem Luxemburgo que você criou?
LUXEMBURGO - Já mudei. Ele foi se ajustando, sou muito mais velho. Fiz dois "media training" para melhorar minha relação com a imprensa, que achava um pouco desnecessária, minha relação com a arbitragem era muito arrogante da minha parte. Achava sempre que estava acima do bem e do mal e que estavam sempre equivocados. Se pegar minha trajetória, verá que fui mudando. Você vai se ajustando, procura melhorar.

FOLHA - O Instituto Wanderley Luxemburgo está mesmo em crise?
LUXEMBURGO - Você não consegue consolidar uma empresa da noite para o dia. Ela tem prejuízo, se equivoca em alguma coisa, você puxa o freio de mão, busca outro investidor. É um negócio que está começando, que pode ter sucesso ou não. Alcançou de imediato o que esperávamos, aí tivemos alguns parceiros que não corresponderam. O meu parceiro principal teve problemas e, com isso, passou a não investir. Só dei meu nome e meus profissionais ao instituto, tinha a disposição de dar aula. O investidor é outra pessoa. Estamos buscando outras parcerias para o negócio poder funcionar. Se vai dar certo ou não, faz parte da vida.

FOLHA - Pensa em seleção ainda?
LUXEMBURGO - Nem penso. Se um dia tiver convite, vou pensar na época. O meu projeto já passou. Fiz o projeto, o Felipão foi para a Copa, ganhou [em 2002], e minha vida continuou. Já cheguei à seleção brasileira.

FOLHA - E a Libertadores?
LUXEMBURGO - Telê foi cobrado por não ser campeão mundial, um dos maiores vencedores do Brasil. Sou um dos maiores vencedores e falta a Libertadores. Não falta nada. Não aconteceu. Tenho uma vida de sucesso. Ganhei recorde de títulos em SP, em Brasileiros, cheguei à seleção, tive percentual fantástico, saí por problemas que não tinham a ver com a parte técnica, me tiraram. Do que posso reclamar? Está bom.

Entrevista à Folha (Frases)

"São Paulo não precisa mais de político para fazer alguma coisa, a não ser que o cara queira tirar proveito da política. No Tocantins, é o contrário. O Estado precisa, e acho que eu posso contribuir muito se for para lá. Não é porque você nasceu no Sul que você vai ter que ser radicado no Sul"
VANDERLEI LUXEMBURGO
pré-candidato ao Senado por Tocantins

"O [Luiz Gonzaga] Belluzzo [presidente do Palmeiras] é um grande economista teórico. Na prática, o resultado dele não foi muito bom, o plano [Cruzado, no governo Sarney] não foi muito legal. Na prática, a teoria dele funciona para dar aulas, mas, no dia a dia do futebol, é um pouco diferente"
VANDERLEI LUXEMBURGO
técnico do Santos e ex do Palmeiras

Por Vanderlei Luxemburgo às 09h49

23/10/2009

Vida que segue

Vida que segue

Hoje complementamos a semana de treinamentos buscando fazer no domingo um bom jogo contra o forte São Paulo. Acredito que o jogo será muito difícil, mas ao mesmo tempo, estou acreditando na vitória.

Também nesta sexta-feira fui surpreendido por mais uma notícia mentirosa com respeito de um possível contrato assinado com o Internacional de Porto Alegre. Mais uma vez fui obrigado a responder muitas perguntas e desmentir alguma coisa sem nenhum fundamento.

Meu compromisso com o Santos segue até 31 de dezembro e caso o Marcelo Teixeira seja reeleito presidente a possibilidade é grande de seguirmos nessa caminhada.

E é assim o futebol, por algum interesse alguns inventam uma notícia, mas somos obrigados a desmentir e é assim, a vida que segue.

Por Vanderlei Luxemburgo às 21h24

15/10/2009

Repúdio à notícias maldosas e mentirosas

Repúdio à notícias maldosas e mentirosas

Mais uma vez sou obrigado a utilizar este espaço para repudiar determinadas pessoas da imprensa que vivem lançando notícias maldosas e mentirosas. Em momento algum houve qualquer excesso em todos os sentidos na nossa passagem de aprimoramento técnico em Atibaia.

Talvez estejam misturando problemas políticos com a parte profissional do qual eu sou responsável. Acredito que as pessoas que plantam estas notícias não têm outro objetivo que não seja no âmbito político e de desestabilização na equipe profissional.

É lamentável que ainda nesses tempos sejamos obrigados a conviver com alguns jornalistas inescrupulosos e que só denigrem uma profissão tão importante dentro do futebol.

E é muito bom que os 30 mil torcedores que foram na última segunda-feira no Pacaembu, mais toda a Nação Santista, saibam que principalmente o jornalista Alex Sabino – do Jornal da Tarde – é o que vem inventado, sabe-se lá por qual interesse, só notícias para tumultuar nosso grupo de trabalho.

A realidade é que depois de praticamente 10 dias com o grupo concentrado, dei uma folga na última sexta-feira onde todos foram fazer o que bem entendessem. Alguns foram para a igreja, outros para a boate, e outros ficaram no hotel. É engraçado que os que foram para a igreja não servem de notícia. E todos voltaram para o hotel na hora combinada.

Quanto à comissão técnica, ficamos no hall do hotel cercados por mais de 1.400 hóspedes, que nos procuraram para conversar. Existe algum mal nisso? O clube já se manifestou e colocou a disposição todas as despesas que foram efetuadas em Atibaia.

Por Vanderlei Luxemburgo às 16h41

13/10/2009

Um empate amargo

Um empate amargo

Com certeza absoluta fizemos ontem a melhor partida desde que cheguei para dirigir novamente o Santos. A equipe se mostrou muito equilibrada ao longo de todo o jogo tocando a bola com consciência e velocidade virando sempre o jogo buscando a infiltração na defesa adversária criando inúmeras oportunidades de gol.

Enfrentamos uma equipe que veio para se defender e jogar no nosso erro. A única coisa a lamentar nessa partida é que pecamos na hora da finalização.

Foi muito importante mais uma vez o apoio durante todo o jogo por parte da torcida que compareceu em grande número no Pacaembu.

Continuo achando difícil, mas não impossível continuarmos a busca dos nossos objetivos, uma vez que o Campeonato Brasileiro tem mostrado uma instabilidade muito grande por parte das equipes. Sinto o Santos em plena evolução e acredito em bons resultados nos próximos jogos.

Por Vanderlei Luxemburgo às 12h06

08/10/2009

Vitória do comprometimento

Vitória do comprometimento

Conquistamos uma vitória importante contra o Sport em Recife. Foi a vitória da determinação e do comprometimento que os jogadores e a comissão técnica têm com o Santos.

Ainda não conseguimos ter o equilíbrio ideal e desejado para a equipe, somando-se aos inúmeros problemas naturais de contusão no elenco.

Estou satisfeito pela maneira com que todos os jogadores estão envolvidos e comprometidos na obtenção de bons resultados.

A grande maioria da torcida tem se comportado de uma maneira muito compreensiva com as nossas dificuldades e não tem faltado com seu apoio Assim, com comprometimento dos jogadores, comissão técnica e apoio da torcida seguiremos fortes em busca de nossos objetivos até o final do Campeonato Brasileiro.

Por Vanderlei Luxemburgo às 20h50

Sobre o autor

Técnico de futebol desde 1990, conseguiu inúmeras conquistas de títulos, sendo recordista de Campeonatos Paulistas e Campeonatos Brasileiros, além de um título da Copa América pela Seleção Brasileira e uma Copa do Brasil. Foi idealizador de uma série de conceitos hoje totalmente implantados no futebol por diversos treinadores espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

Fundou o Instituto Wanderley Luxemburgo com o objetivo de transmitir toda sua experiência profissional adquirida nos últimos 20 anos. Talvez seja o único treinador que nesse período todo ainda permaneça no topo da carreira.

Um amante da verdadeira essência e beleza do autêntico futebol brasileiro.

Sobre o blog

Um canal para comunicados oficiais e análises conceituais do futebol brasileiro e também do futebol mundial. Neste blog, Luxemburgo irá analisar e avaliar os caminhos mais viáveis para a modernização e organização de um clube de futebol, além de trocar ideias com treinadores daqui e de fora do país.

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